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Nova cátedra da USP investiga a internet
Cátedra Oscar Sala será inaugurada nesta sexta-feira, dia 9, com seminário on-line sobre futuro do jornalismo
Por Luiz Prado - 07/10/2020


A regulamentação é um dos temas mais urgentes na pauta que envolve a internet, segundo professor da USP – Foto: Sergey Nivens – Câmara dos Deputados via Agência Câmara de Notícias

Nesta sexta-feira, dia 9, o Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP e o Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) inauguram a Cátedra Oscar Sala. Fruto de um convênio assinado pela USP e o Comitê Gestor da Internet (CGI.br), a cátedra surge para estimular a troca de conhecimentos sobre a internet entre diversas áreas.

“Trata-se de um projeto de fôlego e sólido, que vem de uma parceria inédita e de enorme potencial”, comenta o professor Eugênio Bucci, da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, coordenador acadêmico da cátedra. “De um lado, o CGI e o NIC.br são instituições centrais e fundadoras da internet no Brasil. De outro, o IEA, que busca o conhecimento de ponta, em caráter multidisciplinar, sempre.”

A primeira iniciativa da cátedra acontece já no dia 9, às 9h30, com o seminário on-line Imprensa, Tecnologia e o Futuro do Jornalismo, transmitido ao vivo e aberto ao público mediante inscrição. Dele participa o jornalista Rodrigo Mesquita, que foi editor-chefe do extinto Jornal da Tarde e dirigiu e modernizou a Agência Estado, líder na venda de informações econômicas para o mercado financeiro.

Oriundo da família fundadora do Grupo Estado, Mesquita é reconhecido por suas inovações no uso das tecnologias da informação e da comunicação no jornalismo. Por 16 anos, esteve vinculado ao Media Lab, entidade que surgiu como um laboratório de tecnologias digitais do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).

Ingressando no Media Lab em 1994, conviveu com grandes nomes do jornalismo norte-americano e outros agentes preocupados com a revolução na tecnologia, como operadores de telefonia, empresas de softwares e games e entidades governamentais. É a partir dessa vivência e da sua trajetória posterior que ele falará, durante o seminário, sobre o futuro da imprensa.

“Vamos discutir o passado recente e o presente, refletindo sobre o futuro com a perspectiva de contribuir para ampliação, aceleramento e foco do caminhar da imprensa”, anuncia Mesquita no texto-base para o seminário. Para o jornalista, uma das tarefas é entender que a formação da opinião pública será marcada cada vez mais pela autonomia, fragmentação e complexidade.

“O desafio é ocupar os espaços dos fluxos de informação civilizatórios para enfrentar os da barbárie, hoje mais organizados do que a imprensa nas plataformas e nas redes sociais, e disputar espaço de forma contundente, tendo como premissa a razão para conquistar os fluxos de atenção da opinião púbica”, complementa Mesquita.

“O Rodrigo tem um histórico impressionante de inovação no jornalismo”, afirma Bucci, que destaca a importância do seminário. “Ele raramente faz eventos públicos. Quase nunca, na verdade.”

Como convidado internacional, o evento contará com o ex-diretor executivo do Media Lab do MIT Walter Bender. Como debadores, participam Demi Getschko, conselheiro do CGI.br e diretor-presidente do NIC.br; Bianca Santana, professora, integrante da UNEafro e do Instituto de referência negra Peregum; o jornalista Caio Túlio Costa, primeiro diretor do UOL; e Ana Estela de Souza Pinto, repórter especial da Folha de S. Paulo. A moderação ficará com o jornalista e professor Carlos Eduardo Lins da Silva.

Ampliar horizontes e direito à informação

De acordo com nota divulgada pelo IEA, a expectativa com a nova cátedra é “ampliar o horizonte das tecnologias digitais que favoreçam o avanço tecnológico, a inovação e o direito fundamental de acesso à informação e à comunicação”.

Nesse sentido, Bucci considera a regulamentação como um dos temas mais urgentes na pauta que envolve a internet. “Algo que desponta na agenda internacional são questões relativas à regulação, especialmente aquelas que têm por objeto o discurso do ódio, a prática de crimes cibernéticos e práticas monopolistas” afirma o professor.

A participação nas atividades da cátedra será aberta a professores e pesquisadores brasileiros e internacionais. A nova cátedra recebe o nome de um pioneiro da internet no Brasil. Nascido na Itália, Oscar Sala (1922-2010) se formou em Física na USP em 1943. Professor Emérito do Instituto de Física da USP, foi fundador da Sociedade Brasileira de Física, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e presidente do Conselho Superior da Fapesp.

O seminário on-line Imprensa, Tecnologia e o Futuro do Jornalismo acontece nesta sexta-feira, dia 9, às 9h30. A participação é gratuita e as inscrições podem ser feitas neste endereço. A transmissão será feita através da página do IEA. Mais informações com Cláudia Regina Pereira, pelo e-mail clauregi@usp.br.

 

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