Talento

Estudo define padrões de aplicação biomédica do plasma frio
Trabalho de doutorado de aluna de programa da FEG vence Grande Prêmio Unesp de Teses 2020
Por Jorge Marinho - 02/10/2020


Jato de plasma frio para fins odontológicos desenvolvido na Unesp - Imagem: Arquivo pessoal

A tese Development and Characterization of Extended and Flexible Plasma Jets (Desenvolvimento e Caracterização de Jatos de Plasmas Longos e Flexíveis) defendida pela doutora em Física, Thalita Mayumi Castaldelli Nishime, pelo Programa de Pós-graduação em Física, da Faculdade de Engenharia da Unesp, câmpus de Guaratinguetá, foi avaliada como a melhor tese de doutorado da Universidade e venceu o Grande Prêmio Unesp de Teses 2020, depois de ter vencido a premiação na área de Materiais e Tecnologias.

O trabalho foi orientado pelo professor Konstantin Georgiev Kostov, docente do Programa de Pós-Graduação (PPG) em Física da UNESP em Guaratinguetá, e coorientado pela professora Cristiane Yumi Koga-Ito, do Programa de Pós-Graduação em Biopatologia Bucal, do Instituto de Ciência e Tecnologia da Unesp, câmpus de São José dos Campos, e pelo Chefe do Departamento de Fontes de Plasma do Instituto Leibniz de Ciência e Tecnologia de Plasma, em Greifswald, Alemanha, pesquisador Jörn Winter.

A tese de doutorado da Thalita resultou no desenvolvimento de dois dispositivos de jatos de plasma que podem ser utilizados no tratamento de doenças na boca, estômago e intestino porque são portáteis, longos e flexíveis.

O plasma, depois de sólidos, líquidos e gases, é conhecido como o quarto estado físico da matéria. Uma “mistura gasosa” de íons, prótons, nêutrons, elétrons livres e fótons energéticos eletricamente neutros, mas as espécies ativas do plasma podem modificar a superfície de materiais ou de células vivas. O plasma é o estado físico mais comum no Universo. Um bom exemplo é o Sol, uma esfera de plasma muito quente.

Em laboratório, é possível gerar plasma de baixa temperatura, com aplicação em áreas de tratamento de materiais, esterilização de superfícies e tratamento de feridas crônicas.

O primeiro dispositivo de jato de plasma em que a Thalita definiu os padrões para a construção do protótipo final consiste no transporte do plasma através de um tubo de plástico longo para uso odontológico. Dessa forma, a pluma de plasma é formada longe do eletrodo de alta tensão, tornando sua aplicação mais segura e flexível. Testes nos laboratórios de Biopatologia Bucal, do curso de Odontologia, do ICT Unesp, câmpus de São José dos Campos, mostrou eficiência do plasma na esterilização de microorganismos que causam infecções bucais, protótipo que gerou patente, em 2016.

Já o segundo dispositivo desenvolvido foi o jato de plasma endoscópico, construído no Instituto Leibniz de Ciência e Tecnologia de Plasma, Alemanha, durante o período em que a atual doutora realizou doutorado sanduíche, em 2017.

O trabalho conseguiu miniaturizar um jato de plasma para ser colocado dentro de um endoscópio, equipamento utilizado em avaliações do esôfago, estômago e intestino, gravação em vídeo do exame, além da realização de biópsias.

Durante a pesquisa, foram testados diversos parâmetros para uma operação segura e estável, com jato de plasma de gás Hélio ou gás Neônio. O dispositivo tem canal externo e concêntrico de gás que permite a introdução de uma cortina de gás eletronegativo ao redor do jato de plasma, preservando a sua forma dentro de cavidades fechadas.

 

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