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Caminhos para a cidadania – como desenvolver valores na escola?
Na sala de aula os processos de construção de regras e de valores é complexo e constitui um dos maiores desafios para professores e para professoras, em todos os tempos e espaços.
Por Helena Vetorazo - 11/01/2020



Na sala de aula os processos de construção de regras e de valores é complexo e constitui um dos maiores desafios para professores e para professoras,  em todos os tempos e espaços.

O  professor Ulisses F. Araújo, estudioso da temática ética e valores na escola, destaca  7 dimensões para o desenvolvimento da cidadania na e a partir da escola:

Primeira – a inserção transversal e interdisciplinar nos conteúdos escolares, de temas ligados à diversidade, inclusão, convivência democrática e direitos humanos.

A forma como o currículo está organizado não privilegia a produção de conhecimento e muito menos formação de cidadãos ativos, apenas reprodutores de informações.

Segunda – não adianta uma escola com currículo moderno privilegiando uso de tecnologias se o professor estiver preso numa relação unilateral: professor detém o conhecimento, o aluno é depositário.

O diálogo é fundamental para privilegiar o encontro com a diversidade e propiciar uma aprendizagem coletiva.

Terceira – o trabalho com valores na escola deve ocorrer de forma intencional, como parte do projeto político pedagógico da escola.

A Declaração Universal dos Direitos Humanos dá uma boa indicação sobre quais valores podem ser trabalhados para a formação da cidadania.

Quarta – Respeito, autoridade, admiração, cooperação, se constroem nas relações cotidianas.

De acordo com Pozo e Crespo (2009) os conteúdos, independente da área – Exatas, Humanas ou Biológicas – possuem três dimensões: a conceitual, a procedimental e a atitudinal.


O trabalho pedagógico que valoriza as três dimensões dos conteúdos possibilita a aprendizagem coletiva e favorece a formação de valores em todas as disciplinas.

Quinta – Cada ser humano constrói para si uma imagem que vai representa-lo, chamamos essa imagem de autoestima. Essa imagem nasce da consciência de si mesmo a partir das interações sociais cotidianas.

Quando a comunidade escolar não reflete sobre suas práticas corre o risco de criar estigmas e reforçar a autoimagem negativa que alguns alunos carregam.

Sexta – tomar consciência dos próprios sentimentos e emoções é essencial para o desenvolvimento do autoconhecimento e da empatia.

Os conteúdos escolares podem contribuir para que os alunos tomem consciência de seus atos e desenvolvam autoconhecimento e empatia.

Sétima – o poder compartilhado é o diferencial para a formação de valores por isso investir numa gestão escolar democrática é o caminho para o desenvolvimento da autonomia dos sujeitos (alunos, professores e funcionários da escola).

As 7 dimensões são complementares e o ideal é que estejam presentes no cotidiano escolar de forma simultânea.

Toda e qualquer ação pedagógica é repleta de valores, o fundamental é refletir se esses valores contribuem para a formação de cidadãos críticos e intelectualmente ativos ou para a formação de pessoas passivas e intelectualmente acomodadas.

 

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