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Naturalista Fritz Müller recebe título de Doutor Honoris Causa da USP
Müller é reconhecido mundialmente por suas importantes contribuições para as Ciências Biológicas; outorga foi aprovada pelo Conselho Universitário
Por Adriana Cruz - 01/04/2026


O cientista Fritz Müller – Foto: Domínio público/Wikicommons


Foi aprovada por unanimidade, na sessão do Conselho Universitário, realizada no dia 31 de março, a concessão do título de Doutor Honoris Causa in memoriam ao naturalista Johann Theodor Friedrich Müller, conhecido no meio científico como Fritz Müller, que, ao longo de sua vida, fez contribuições importantes à fundamentação da Biologia Evolutiva Darwiniana.

A proposta de concessão do título foi apresentada pelo Instituto de Biociências (IB), com o apoio do Museu de Zoologia (MZ) e do Centro de Biologia Marinha (Cebimar) e de professores da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP), do Instituto de Geociências (IGc), da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP), do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG), do Instituto de Química (IQ) e do Instituto de Química de São Carlos (IQSC).

De acordo com o Estatuto da Universidade, a honraria é concedida “a personalidades nacionais ou estrangeiras que tenham contribuído, de modo notável, para o progresso das ciências, letras ou artes; e aos que tenham beneficiado de forma excepcional a humanidade, o País, ou prestado relevantes serviços à Universidade”. Desde a sua criação, há mais de 92 anos, a USP concedeu 125 títulos de Doutor Honoris Causa. O mais recente foi concedido em fevereiro deste ano, quando o Conselho aprovou a concessão da honraria ao jornalista Vladimir Herzog.

Fritz Müller nasceu em 31 de março de 1822, na aldeia de Windischholzhausen, em Erfurt, na Alemanha. Em 1841, estudou Matemática e História Natural na Universidade de Berlim. Quatro anos depois, voltou a Erfurt e decidiu cursar Medicina na Universidade de Greifswald — profissão que nunca exerceu, uma vez que se recusou a realizar o juramento de formação sob a bíblia na entrega do diploma.  

Em 1852, Müller embarcou para o Brasil com sua família e se instalou na cidade de Blumenau, em Santa Catarina. Adquiriu a nacionalidade brasileira em 1856 e passou boa parte de sua vida desenvolvendo pesquisa com crustáceos, que o levaram a resultados que contribuíram para a compreensão da conjunção entre desenvolvimento e evolução. Até a sua morte em 1897, foi professor do Liceu na cidade de Desterro, atual Florianópolis, e, por muitos anos, foi pesquisador contratado pelo Museu Nacional do Rio de Janeiro.

Müller foi o primeiro cientista a apresentar modelos matemáticos para explicar a seleção natural, produzindo provas contundentes para a teoria, com seus estudos sobre evolução de crustáceos e borboletas. Realizou a sistematização de numerosas espécies da flora brasileira, tendo descrito e classificado numerosas plantas. Foi, um dos primeiros naturalistas a se interessar pelos ecossistemas brasileiros e desenvolveu o conceito de mimetismo mülleriano pelo qual, durante a evolução, espécies se tornam parecidas a fim de iludir os predadores.

A obra mais conhecida de Müller é o seu livro “Für Darwin”, que escreveu e publicou em 1864, três anos após ter recebido a tradução em alemão do livro de Charles Darwin. Na obra, ele relata observações sobre crustáceos que deram sustentação importante para a Teoria de Seleção Natural proposta por Darwin.

Darwin e Müller começaram a trocar correspondências em 1865. Com mais de dezenas de cartas trocadas, os dois cientistas firmaram uma amizade que durou 17 anos e levou Darwin a apelidar Fritz de “o príncipe dos observadores” e a mencioná-lo 17 vezes na reedição da obra do naturalista britânico. 

Apesar de trabalhar em uma região remota dos grandes centros científicos, Müller é reconhecido mundialmente por suas importantes contribuições para as Ciências Biológicas.

 

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