A pesquisa de Danny Hidalgo envolve olhar sob asuperfÍcie de eleia§aµes e campanhas políticas e investigar alguns de seus elementos questiona¡veis. Acontece que hámuito para ver la¡ em baixo.

F. Daniel Hidalgo Â
A pesquisa de Danny Hidalgo envolve olhar sob asuperfÍcie de eleições e campanhas políticas e investigar alguns de seus elementos questiona¡veis. Acontece que hámuito para ver la¡ em baixo.
Hidalgo, professor associado do Departamento de Ciência Polatica do MIT, éum estudioso que estuda o nexo de eleições, campanhas e dinheiro na Amanãrica Latina e, particularmente no Brasil, discutindo a questãode quem, exatamente, se beneficia do sistema.
Considere um estudo da Hidalgo sobre eleições municipais que foram atormentadas pela suposta prática de “compra de eleitoresâ€, na qual as pessoas seriam levadas a uma cidade para votar ilegalmente. Segundo Hidalgo, as auditorias que desencorajaram a compra de eleitores reduziram o eleitorado em 12 pontos percentuais e reduziram as chances de reeleição do prefeito em 18 pontos percentuais.
Mesmo quando as regras estãosendo seguidas, a influaªncia do dinheiro na polatica éevidente. Em outro estudo, Hidalgo mostrou que as empresas focadas em projetos de obras públicas, que doam para candidatos vencedores do partido no poder, ganham um impulso em seus contratos governamentais que épelo menos 14 vezes o valor de suas contribuições.
Muitos estudos de Hidalgo se concentram nas próprias eleições. Em outro estudo, Hidalgo e um co-autor mostraram que os polaticos locais que eram titulares tinham duas vezes mais chances do que os não titulares de obter controle sobre as estações de ra¡dio comunita¡rias; por sua vez, eles também mostraram que o acesso ao ra¡dio aumenta significativamente a parcela de votos dos polaticos.
"Corrupção e responsabilidade são temas centrais da polatica no Brasil", diz Hidalgo, sentado em seu escrita³rio, discutindo seu trabalho. "Vamos tentar pensar com rigor e trazer nossas ferramentas de ciências sociais para eles."
Esse pensamento rigoroso, bem como os manãtodos quantitativos exatos que a Hidalgo usa, são construados sobre uma base de conhecimento em primeira ma£o. Nãohánada como morar em algum lugar, e aprender sobre isso pessoalmente, para estimular a pesquisa produtiva.
“Estou muito consciente, e talvez isso seja mais antigo, de que as perguntas de pesquisa cheguem atévocêcom base no que éimportante nos lugares em que vocêestãoestudandoâ€, diz Hidalgo. "Em certo sentido, vocêsão precisa passar muito tempo na Amanãrica Latina."
Viajando homem
De fato, muitos dos interesses de pesquisa de Hidalgo foram formados por seu senso de lugar.
Hidalgo nasceu no Manãxico, mas cresceu em Los Angeles, com pais muito afinados com a polatica mexicana. Durante a adolescaªncia de Hidalgo, na década de 1990, a transição vigorosa dopaís em direção a uma democracia multipartida¡ria foi um importante ponto de discussão em sua casa.
“Ao redor da mesa da minha cozinha, houve muita discussão sobre a polatica mexicana, e o que estava acontecendo, e isso me interessou na polatica em outrospaíses, e como a polatica funciona em lugares onde as instituições não são tão fortes quanto no mundo. EUA â€, relata Hidalgo. "Então, por causa disso, eu tinha interesse na polatica latino-americana em geral."
Hidalgo estudou na Universidade de Princeton, onde se formou em polatica em 2002. Seu foco na polatica latino-americana foi aprimorado por um programa de graduação no exterior que o levou a Buenos Aires.
“Basicamente, eu vivi la¡ antes da enorme depressão que ocorreu na Argentina, antes desse período em que eles tinham quatro ou cinco presidentes em questãode mesesâ€, diz Hidalgo. "Foi uma anãpoca muito interessante para morar em Buenos Aires."
Poranãm, após a formatura, Hidalgo partiu para uma parte diferente do mundo: Hangzhou, China, onde ensinou inglês enquanto imaginava seu futuro. Novamente, uma crise social ocorreu logo após a chegada de Hidalgo, desta vez na forma da epidemia de SARS que fechou as cidades e assustou os viajantes.
"De um dia para o outro, Hangzhou deixou de ter ruas incrivelmente movimentadas, para nada", lembra Hidalgo. E quando um amigo de um amigo contraiu a SARS, Hidalgo partiu com reluta¢ncia. “O programa que eu participava basicamente dizia: 'Vocaª precisa ficar em quarentena por um tempo ou precisa sair', o que foi muito ruim, porque eu realmente gostava de morar na China e queria ficar.â€
Nos Estados Unidos, Hidalgo solicitou uma bolsa da Fulbright para estudar no Brasil, conseguiu e passou seu primeiro ano no Brasil pesquisando.
“Adorei meu tempo no Brasil. Eu fiquei fascinado Era tão grande e com tanta heterogeneidade â€, diz Hidalgo. "Muito do meu trabalho decorre disso."
Hidalgo acrescenta: “Na China, houve um desenvolvimento econa´mico incravel, mas uma completa falta de responsabilidade. ... No Brasil, em certo sentido, tem sido o contra¡rio, com um longo período de crescimento lento, do final da década de 1970 a meados da década de 90, mas cada vez mais se tornou essa democracia vibrante, muito competitiva. Tinha uma classe polatica conservadora oliga¡rquica tradicional, mas surgiu um presidente da classe trabalhadora [Luiz Ina¡cio Lula da Silva, de 2003 a 2010] de um partido de esquerda, que normalmente não alcana§ava o poder polatico na Amanãrica Latina. Foi um contraste fascinante.
A polatica brasileira mudou bastante, mas o interesse de Hidalgo foi despertado. De volta aos EUA novamente, Hidalgo cursou pós-graduação em ciências políticas na Universidade da Califórnia em Berkeley, obtendo seu doutorado em 2012. Ele foi contratado do MIT para fora da pós-graduação e estãona faculdade do Instituto desde então, embarcando em muitas pesquisas viagens nos anos seguintes. Por seu trabalho, Hidalgo recebeu posse do MIT no inicio deste ano.
O estudioso orientado a casos
Enquanto o trabalho de Hidalgo estãoclaramente situado na junção de dinheiro, polatica e poder, ele usa uma diversidade de manãtodos para obter seus resultados. Ele não estãonecessariamente tentando construir uma teoria abrangente de como a polatica funciona; ao contra¡rio, ele identificou uma sanãrie de maneiras pelas quais o dinheiro e a polatica interagem.Â
"Alguns estudiosos tem uma teoria primeiro e procuram casos", diz Hidalgo. “Eu me preocupo com sociedades e polatica e tento descobrir o que éimportante. Ha¡ uma interação entre teoria e casos, mas sou mais orientado a casos. â€
Hidalgo também não se dedica a estudar o Brasil com exclusão de outrospaíses. De fato, no momento embarcamos em um estudo de transparaªncia nos governos locais dos EUA. O estudo usa a tecnologia de pesquisa para ver quanta informação do governo estãodisponavel on-line para residentes de cidades dos EUA.
"De certa forma, a disponibilidade de informações ba¡sicas sobre o governo érealmente melhor em algumas partes da Amanãrica Latina", diz Hidalgo, referindo-se ao nota³rio caso de Bell, Califórnia - uma pequena cidade onde, em 2010, um repa³rter do Los Angeles Times descobriu que o gerente da cidade tinha um sala¡rio de um milha£o de da³lares. Nãohavia jornal local, no entanto, que pudesse pegar os sala¡rios inflacionados das autoridades locais mais cedo.
"A morte da madia local éincrivelmente saliente, e esse éo tipo de pessoa que se preocupa com essas coisas", diz Hidalgo. “Nãoacho que a transparaªncia seja sempre uma questãoimportante para os cidada£os. Muitas vezes, éa pressão externa de jornalistas que faz [descobertas]. Eu acho que éimportante apenas para obter informações sobre as operações ba¡sicas do governo. â€
Mais uma raza£o, portanto, para estudiosos como Hidalgo também olharem dinheiro na polatica.