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As esperanças de uma pandemia de ala­vio nesta primavera podem depender do que acontece em ambientes fechados
O ar frio e seco do inverno ajuda claramente o SARS-CoV2 - o va­rus que causa o COVID-19 - a se espalhar entre as pessoas, mostrou a pesquisa de Yale.
Por Bill Hathaway - 03/04/2020


Mudanças na umidade relativa dentro de casa, do inverno a  primavera e ao vera£o,
podem reduzir o risco de transmissão de va­rus como o que causa o COVID-19,
descobriram os pesquisadores de Yale. No entanto, o va­rus ainda pode ser
transmitido atravanãs de contato e proximidade em todas as estações.

Quanto a primavera e o vera£o afetam a pandemia do COVID-19 pode depender não apenas da eficácia das medidas de distanciamento social, mas também do meio ambiente dentro de nossos edifa­cios, de acordo com uma revisão feita por cientistas de Yale sobre seu pra³prio trabalho e a de colegas sobre como respirar va­rus são transmitidos.

O ar frio e seco do inverno ajuda claramente o SARS-CoV2 - o va­rus que causa o COVID-19 - a se espalhar entre as pessoas, mostrou a pesquisa de Yale. Poranãm, a  medida que a umidade aumenta durante a primavera e o vera£o, o risco de transmissão do va­rus atravanãs departículas transportadas pelo ar diminui tanto dentro quanto fora de casa em locais como escrita³rios.

Os pesquisadores sugerem que, além do distanciamento social e da lavagem das ma£os, a moderação sazonal da umidade relativa - a diferença entre a umidade externa e as temperaturas e a umidade interna - pode ser um aliado na redução das taxas de transmissão viral. (Os va­rus ainda podem ser transmitidos por contato direto ou atravanãs desuperfÍcies contaminadas a  medida que a umidade aumenta.)

" Noventa por cento de nossas vidas no mundo desenvolvido são gastos em ambientes fechados, muito pra³ximos", disse o imunobia³logo de Yale e autor saªnior Akiko Iwasaki . "O que não foi discutido éa relação de temperatura e umidade no ar em ambientes fechados e ao ar livre e a transmissão aanãrea do va­rus".

A revisão foi publicada on-line na semana de 23 de mara§o na Annual Review of Virology .

Iwasaki éo professor de imunobiologia Waldemar Von Zedtwitz e professor de biologia molecular, celular e de desenvolvimento em Yale e pesquisador do Instituto Manãdico Howard Hughes.

Iwasaki disse que a natureza sazonal das doenças respirata³rias éregistrada desde os tempos dos gregos antigos, que observaram que tais doenças aumentavam no inverno e caa­am na primavera e no vera£o. A ciência moderna conseguiu identificar o ar seco e frio como um fator na disseminação de va­rus, como o novo coronava­rus que causa o COVID-19. Pesquisa do laboratório de Iwasaki e outros explica o porquaª.

O ar frio e seco do inverno torna esses va­rus uma ameaça tripla: quando o ar frio externo com pouca umidade éaquecido em ambientes fechados, a umidade relativa do ar cai para cerca de 20%. Esse ar comparativamente livre de umidade fornece um caminho claro parapartículas virais transportadas pelo ar de va­rus como o COVID-19.

Além disso, o ar quente e seco também diminui a capacidade dos ca­lios, as projeções semelhantes a cabelos nas células que revestem as vias aanãreas, de expelirpartículas virais. E, finalmente, a capacidade do sistema imunológico de responder a patógenos ésuprimida em ambientes mais secos, descobriu Iwasaki.

Iwasaki estava interessado nos efeitos da umidade relativa. Durante o inverno, a umidade relativa permanece baixa na maioria dos ambientes internos; o ar frio e seco do exterior ésimplesmente reaquecido e circulado pelas residaªncias e escrita³rios.

Sua revisão cita experimentos que mostram que roedores infectados com va­rus respirata³rios podem transmitir facilmentepartículas virais pelo ar para vizinhos não infectados em ambientes de baixa umidade.

" a‰ por isso que recomendo umidificadores durante o inverno em edifa­cios", disse Iwasaki.

No entanto, em áreas de alta umidade relativa, como os tra³picos, gota­culas infecciosas no ar caem emsuperfÍcies internas e podem sobreviver por longos períodos, disse ela.

" Muitas casas e edifa­cios são mal ventilados e as pessoas geralmente vivem muito próximas e, nesses casos, os benefa­cios de maior umidade são mitigados", disse Iwasaki.

a‰ importante ressaltar que háum ponto ideal na umidade relativa do ar para ambientes internos, segundo a análise. Os camundongos em ambientes com umidade relativa entre 40% e 60% mostram substancialmente menos capacidade de transmitir va­rus a camundongos não infectados do que aqueles em ambientes com umidade relativa baixa ou alta. Os ratos mantidos a 50% de umidade relativa também foram capazes de limpar um va­rus inalado e montar respostas imunola³gicas robustas, ela descobriu.

Iwasaki enfatiza que esses estudos se aplicam apenas a  transmissão de aerossãois: o va­rus ainda pode ser compartilhado em qualquer anãpoca do ano entre pessoas próximas e atravanãs do contato comsuperfÍcies contendo quantidades suficientes de va­rus. a‰ por isso que as pessoas que vivem empaíses quentes e as que trabalham próximas umas das outras ainda são suscetíveis a  infecção, disse ela.

" Nãoimporta se vocêmora em Cingapura, na andia ou no artico, ainda precisa lavar as ma£os e praticar o distanciamento social", disse Iwasaki.

Miyu Moriyama, de Yale, e Walter J. Hugentobler, da Universidade de Zurique, são co-autores do artigo.

 

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