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O aumento do CO2 causa mais do que uma crise climática - pode prejudicar diretamente nossa capacidade de pensar
No final do século, as pessoas poderiam ser expostas a na­veis internos de CO 2 em até1.400 partes por milha£o - mais de três vezes os na­veis externos atuais e muito além do que os humanos já experimentaram.
Por Universidade do Colorado em Boulder - 22/04/2020

Doma­nio paºblico

Amedida que o século 21 avana§a, o aumento das concentrações atmosfanãricas de dia³xido de carbono (CO 2 ) fara¡ com que os na­veis urbano e interno do gás aumentem, o que pode reduzir significativamente nossa capacidade ba¡sica de tomada de decisão e pensamento estratanãgico complexo, de acordo com uma nova CU Boulder- estudo conduzido. No final do século, as pessoas poderiam ser expostas a na­veis internos de CO 2 em até1.400 partes por milha£o - mais de três vezes os na­veis externos atuais e muito além do que os humanos já experimentaram.

"a‰ incra­vel como os altos na­veis de CO 2 chegam a Espaços fechados", disse Kris Karnauskas, pesquisador do CIRES Fellow, professor associado da CU Boulder e principal autor do novo estudo publicado hoje na revista AGU GeoHealth . "Isso afeta todo mundo - desde criana§as pequenas nas salas de aula a cientistas, empresa¡rios e tomadores de decisão - pessoas comuns em suas casas e apartamentos".

Shelly Miller, professora da escola de engenharia e co-autor da CU Boulder, acrescenta que "a ventilação do edifa­cio normalmente modula os na­veis de CO 2 nos edifa­cios, mas hásituações em que hámuita gente e falta de ar fresco suficiente para diluir o CO 2 ". CO 2 também podem acumular-se em Espaços mal ventilados durante longos períodos de tempo, como durante a noite enquanto dormia em quartos, ela disse.

Simplificando, quando respiramos ar com altos na­veis de CO 2 , os na­veis de CO 2 em nosso sangue aumentam, reduzindo a quantidade de oxigaªnio que chega ao nosso cérebro. Estudos mostram que isso pode aumentar a sonolaªncia e a ansiedade e prejudicar a função cognitiva.

Todos conhecemos a sensação: sente-se por muito tempo em uma sala de conferaªncias ou sala de conferaªncias abafada e lotada e muitos de noscomea§am a sentir-se sonolentos ou sem graça. Em geral, as concentrações de CO 2 são maiores em ambientes fechados do que no exterior, escreveram os autores. E o CO 2 externo em áreas urbanas émaior do que em locais intocados. As concentrações de CO 2 nos prédios são o resultado do gás que, de outra forma, estãoem equila­brio com o exterior, mas também do CO 2 gerado pelos ocupantes do prédio a  medida que expiram.

Os na­veis atmosfanãricos de CO 2 tem aumentado desde a Revolução Industrial, atingindo um pico de 414 ppm no Observatório Mauna Loa da NOAA no Havaa­ em 2019. No cena¡rio atual em que as pessoas na Terra não reduzem as emissaµes de gases de efeito estufa , o Painel Intergovernamental de Mudanças Clima¡ticas prevaª os na­veis de CO 2 ao ar livre podem subir para 930 ppm até2100. E as áreas urbanas geralmente tem cerca de 100 ppm de CO 2 mais alto que esse cena¡rio.
 
Karnauskas e seus colegas desenvolveram uma abordagem abrangente que considera as concentrações futuras previstas de CO 2 ao ar livre e o impacto das emissaµes urbanas localizadas, um modelo da relação entre os na­veis interno e externo de CO 2 e o impacto na cognição humana. Eles descobriram que, se as concentrações externas de CO 2 subirem para 930 ppm, isso levaria as concentrações internas a umnívelprejudicial de 1400 ppm.

"Nesse na­vel, alguns estudos demonstraram evidaªncias convincentes de comprometimento cognitivo significativo", disse Anna Schapiro, professora assistente de psicologia da Universidade da Pensilva¢nia e coautora do estudo. "Embora a literatura contenha alguns achados conflitantes e muito mais pesquisa seja necessa¡ria, parece que doma­nios cognitivos de alto na­vel, como tomada de decisão e planejamento, são especialmente suscetíveis ao aumento das concentrações de CO 2 ".

De fato, a 1400 ppm, as concentrações de CO 2 podem reduzir nossa capacidade ba¡sica de tomada de decisão em 25% e o pensamento estratanãgico complexo em cerca de 50%, descobriram os autores.

Os impactos cognitivos do aumento dos na­veis de CO 2 representam o que os cientistas chamam de efeito "direto" da concentração de gases, como a acidificação do oceano. Nos dois casos, o pra³prio CO 2 elevado - e não o aquecimento subsequente que ele também causa - éo que causa danos.

A equipe diz que pode haver maneiras de se adaptar a na­veis mais altos de CO 2 em ambientes fechados , mas a melhor maneira de impedir que na­veis atinjam na­veis perigosos éreduzir as emissaµes de combusta­veis fa³sseis. Isso exigiria estratanãgias de mitigação adotadas globalmente, como as estabelecidas pelo Acordo de Paris da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima.

Karnauskas e seus co-autores esperam que essas descobertas fazm novas pesquisas sobre os impactos "ocultos" dasmudanças climáticas , como os da cognição. "Este éum problema complexo, e nosso estudo estãono começo. Nãose trata apenas de prever os na­veis globais (externos) de CO 2 ", disse ele. "Vai das emissaµes globais de fundo, a s concentrações no ambiente urbano, a s concentrações em ambientes fechados e, finalmente, ao impacto humano resultante. Precisamos de equipes de pesquisadores interdisciplinares ainda mais amplas para explorar isso: investigar cada passo em nossos pra³prios silos não seránecessa¡rio." basta. "

 

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