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Novo estudo tem cientistas reavaliando o tamanho relativo do cérebro e a inteligaªncia dos mama­feros
Cientistas da Stony Brook University e do Max Planck Institute of Animal Behavior reuniram uma linha do tempo de como o cérebro e o tamanho do corpo evolua­ram nos mama­feros nos últimos 150 milhões de anos.
Por Stony Brook University - 29/04/2021


Uma representação dos tamanhos do cérebro em mama­feros de vários tamanhos mostra variações e semelhanças, apesar dos na­veis de inteligaªncia. Crédito: Javier Lazaro

Cientistas da Stony Brook University e do Max Planck Institute of Animal Behavior reuniram uma linha do tempo de como o cérebro e o tamanho do corpo evolua­ram nos mama­feros nos últimos 150 milhões de anos. As descobertas, publicadas na Science Advances , mostram que o tamanho do cérebro em relação ao tamanho do corpo - hámuito considerado um indicador da inteligaªncia animal - não seguiu uma escala esta¡vel ao longo do tempo evolutivo.

A equipe internacional de 22 cientistas, incluindo bia³logos, estata­sticos evolucionistas e antropa³logos, comparou a massa cerebral de 1.400 mama­feros vivos e extintos. Para os 107 fa³sseis examinados - entre eles baleias antigas e o mais antigo cra¢nio de macaco do Velho Mundo já encontrado - eles usaram dados de volume endocraniano de cra¢nios em vez de dados de massa cerebral. As medições do cérebro foram então analisadas junto com o tamanho do corpo para comparar a escala do tamanho do cérebro ao tamanho do corpo ao longo do tempo evolutivo profundo .

"Uma grande surpresa foi que grande parte da variação no tamanho relativo do cérebro dos mama­feros que vivem hoje pode ser explicada pelasmudanças que suas linhagens ancestrais sofreram após a extinção em massa e outros eventos catacla­smicos", disse Jeroen Smaers, bia³logo evoluciona¡rio, professor associado Antropologia na Stony Brook University, e primeiro autor do estudo. "Isso inclui a evolução dos maiores cérebros de mama­feros, como os golfinhos, elefantes e grandes macacos, que evolua­ram em proporções extremas após o evento da mudança climática 23-33 milhões de anos atrás."

De acordo com o estudo, humanos, golfinhos e elefantes com "cérebro grande", por exemplo, atingiram suas proporções de maneiras diferentes. Os elefantes aumentaram em tamanho corporal, mas, surpreendentemente, ainda mais em tamanho de cérebro. Os golfinhos, por outro lado, geralmente diminuem o tamanho do corpo enquanto aumentam o tamanho do cérebro. Os grandes macacos mostraram uma grande variedade de tamanhos de corpo, com uma tendaªncia geral de aumento no cérebro e no tamanho do corpo. Em comparação, os homina­neos ancestrais, que representam a linha humana, mostraram uma diminuição relativa no tamanho do corpo e um aumento no tamanho do cérebro em comparação com os grandes macacos.

Os autores dizem que esses padraµes complexos exigem uma reavaliação do paradigma profundamente enraizado de que comparar o tamanho do cérebro ao tamanho do corpo de qualquer espanãcie fornece uma medida da inteligaªncia da espanãcie.

Smaers aponta: "Aprimeira vista, a importa¢ncia de levar em conta a trajeta³ria evolutiva do tamanho do corpo pode parecer sem importa¢ncia. Afinal, muitos dos mama­feros de grande cérebro, como elefantes, golfinhos e grandes sa­mios, também tem um cérebro elevado. para o tamanho do corpo. Mas nem sempre éesse o caso. O lea£o-marinho da Califa³rnia, por exemplo, tem um cérebro de tamanho relativo baixo, o que contrasta com sua inteligaªncia nota¡vel. "

Ao levar em consideração a história evolutiva , o estudo atual revela que o lea£o-marinho da Califórnia atingiu um tamanho baixo de cérebro a corpo por causa das fortes pressaµes seletivas sobre o tamanho do corpo, provavelmente porque os carna­voros aqua¡ticos se diversificaram em um nicho semiaqua¡tico. Em outras palavras, eles tem um tamanho relativo de cérebro baixo por causa da seleção no aumento do tamanho do corpo, não por causa da seleção no tamanho do cérebro diminua­do.

"Na³s derrubamos um dogma de longa data de que o tamanho relativo do cérebro pode ser confundido com inteligaªncia", disse Kamran Safi, um cientista pesquisador do Instituto Max Planck de Comportamento Animal e autor saªnior do estudo. "a€s vezes, cérebros relativamente grandes podem ser o resultado final de uma redução gradual no tamanho do corpo para se adequar a um novo habitat ou maneira de se mover - em outras palavras, nada a ver com inteligaªncia. Usar o tamanho relativo do cérebro como proxy da capacidade cognitiva deve ser confrontado com a história evolutiva de um animal e as nuances na maneira como o cérebro e o corpo mudaram ao longo da a¡rvore da vida. "

O estudo mostrou ainda que a maioria dasmudanças no tamanho do cérebro ocorreu após dois eventos catacla­smicos na história da Terra: a extinção em massa há66 milhões de anos e uma transição climática 23-33 milhões de anos atrás.

Os autores concluem que os esforços para captar verdadeiramente a evolução da inteligaªncia exigira£o um esfora§o maior para examinar as caracteri­sticas neuroanatômicas, como as regiaµes do cérebro conhecidas por processos cognitivos superiores.

"O tamanho do cérebro a corpo, obviamente, não éindependente da evolução da inteligaªncia", enfatiza Smaers. "Mas pode realmente ser mais indicativo de adaptações mais gerais a s pressaµes ambientais de grande escala que va£o além da inteligaªncia."

 

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