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Estoques nutritivos de peixes estãosendo desperdia§ados pela criação de salma£o, dizem cientistas
Comer peixes capturados na natureza em vez de usa¡-los como raça£o na criação de salma£o permitiria que quase quatro milhões de toneladas de peixes fossem deixados no mar, ao mesmo tempo em que forneceria seis milhões de toneladas extras...
Por Jacqueline Garget - 04/03/2022


Cardume de peixes - Crédito: Fengyou Wan no Unsplash

"Se quisermos alimentar bem e de forma sustenta¡vel a crescente população global, devemos parar de pescar peixes selvagens para alimentar os peixes cultivados."

David Willer

Cientistas que estudam a indústria escocesa de criação de salma£o dizem que usar apenas subprodutos de peixes - como aparas - para alimentação de salma£o, em vez de peixes inteiros capturados na natureza, proporcionaria ganhos nutricionais e de sustentabilidade significativos.

Isso permitiria que 3,7 milhões de toneladas de peixes fossem deixadas no mar e permitiria que a produção global anual de frutos do mar aumentasse em 6,1 milhões de toneladas.

O estudo, liderado por uma equipe de cientistas das Universidades de Cambridge, Lancaster e Liverpool e da ONG ambientalista Feedback Global, foi publicado hoje na revista PLOS Sustainability and Transformation . 

Como o setor de alimentos que mais cresce no mundo, a aquicultura éfrequentemente apresentada como uma forma de aliviar a pressão sobre os estoques de peixes selvagens. Mas muitos peixes de aquicultura - como o salma£o do Atla¢ntico - são criados com a³leo de peixe e farinha feita de milhões de toneladas de peixes capturados na natureza, a maioria dos quais éde qualidade alimentar e pode ser consumida diretamente para fornecer nutrição vital.

A equipe coletou dados sobre o teor de nutrientes dos peixes, a composição da farinha e do a³leo de peixe e a produção de salma£o e examinou a transferaªncia de micronutrientes da ração para os peixes na indústria de salma£o de viveiro da Esca³cia. Eles descobriram que mais da metade dos minerais essenciais da dieta e a¡cidos graxos disponí­veis em peixes selvagens são perdidos quando esses peixes são alimentados com salma£o de viveiro. 

David Willer, pesquisador do Departamento de Zoologia da Universidade de Cambridge e primeiro autor do artigo, disse: “Peixes e frutos do mar fornecem uma fonte vital e valiosa de alimentos ricos em micronutrientes para pessoas em todo o mundo, e devemos ter certeza de que estamos usando isso recurso com eficiência. Comer mais peixes selvagens e usar alimentos alternativos em fazendas de salma£o pode conseguir isso.”

A equipe desenvolveu vários cenários alternativos de produção em que o salma£o era produzido apenas com subprodutos de peixes e, em seguida, adicionou mais peixes, mexilhaµes ou carpas capturados na natureza para consumo humano. Todos os cenários produziram mais frutos do mar que eram mais nutritivos que o salma£o e deixaram 66-82% da alimentação dos peixes no mar. 

A Dra. Karen Luyckx, da Feedback, disse: “Se quisermos alimentar bem e de forma sustenta¡vel uma população global em crescimento, devemos parar de pescar peixes selvagens para alimentar os peixes cultivados. Atéque a indústria do salma£o abandone seu ha¡bito de a³leo de peixe capturado na natureza e farinha de peixe, chefs e varejistas devem ajudar os cidada£os a abandonar o salma£o insustenta¡vel, oferecendo mexilhaµes ultranutritivos e pequenos peixes oleosos”.

Com base em suas descobertas sobre a indústria de salma£o escocesa, os pesquisadores coletaram dados globais de produção de salma£o, farinha de peixe e a³leo para aplicar seus cenários alternativos em escala global. Um cena¡rio mostra que a criação de mais carpas e menos salma£o, usando apenas ração de subprodutos de peixes, poderia deixar 3,7 milhões de toneladas de peixes selvagens no mar e produzir 39% mais frutos do mar em geral. 

Os autores alertam que não se sabe o suficiente sobre a origem e composição de espanãcies da farinha de peixe, mas hásinais positivos de que o uso de rações a  base de plantas estãocrescendo. 

James Robinson, da Universidade de Lancaster, disse: “A aquicultura, incluindo a criação de salma£o, tem um papel importante no atendimento da demanda global de alimentos, mas peixes selvagens nutritivos devem ser priorizados para consumo local, em vez de alimentação de salma£o, principalmente se for capturado em locais sem segurança alimentar. . 

“O apoio a alimentos alternativos pode ajudar nessa transição, mas ainda precisamos de mais dados sobre os volumes e espanãcies usadas para farinha e a³leo de peixe, pois isso pode mostrar onde a criação de salma£o exerce pressão adicional sobre os estoques de peixes”.

Em última análise, os autores pedem uma redução nos alimentos para aquicultura marinha, pois isso oferecera¡ oportunidades para produzir frutos do mar mais nutritivos, reduzindo a pressão sobre os ecossistemas marinhos. 

Willer acrescentou: “Se queremos alimentar bem e de forma sustenta¡vel a crescente população global, devemos parar de pescar peixes selvagens para alimentar os peixes cultivados. Ha¡ uma necessidade urgente de a indústria alimenta­cia promover o consumo de espanãcies de frutos do mar mais sustenta¡veis ​​oscomo mexilhaµes ou carpas osque não precisam de outros peixes como ração.”

Esta pesquisa foi financiada pela Cambridge Philosophical Society, atravanãs de uma Henslow Fellowship para David Willer.

Referaªncia
Willer, DF, et al: ' Maximizando a produção sustenta¡vel de nutrientes a partir de sistemas acoplados de pesca e aquicultura .' PLOS Sustentabilidade e Transformação, 2022. DOI: 10.1371/journal.pstr.0000005

Adaptado de um comunicado de imprensa da Feedback Global.

 

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