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Novo modelo de um processo fundamental por trás do movimento das placas tecta´nicas da Terra
As placas tecta´nicas que formam asuperfÍcie da Terra são como pea§as de um quebra-cabea§a que estãoem constante e muito lenta ca¢mera - em média, elas se movem apenas cerca de 10 centa­metros por ano.
Por Universidade de Lisboa - 12/03/2022


Anel de Fogo do Paca­fico. Crédito: Gringer (conversa) 23:52, 10 de fevereiro de 2009 (UTC), Doma­nio paºblico, via Wikimedia Commons

Uma equipa de investigadores da Universidade de Lisboa (Portugal) e da Universidade Johannes Gutenberg (Alemanha) desenvolveu pela primeira vez um modelo numanãrico avana§ado de um dos principais processos por detrás do movimento das placas tecta³nicas da Terra.

As placas tecta´nicas que formam asuperfÍcie da Terra são como pea§as de um quebra-cabea§a que estãoem constante e muito lenta ca¢mera - em média, elas se movem apenas cerca de 10 centa­metros por ano. Mas essas pea§as do quebra-cabea§a não se encaixam: házonas em uma placa que acabam mergulhando sob outra osas chamadas zonas de subducção , centrais para a dina¢mica do planeta. Esse movimento élento, mas pode levar a momentos de grande liberação de energia e, ao longo de milhares de anos, grandes cadeias de montanhas ou fossas marinhas se formam nessas regiaµes.

Como essas zonas de subducção se originam e como elas evoluem ao longo do tempo? Os gea³logos já sabiam que nessas zonas, em uma escala de tempo de milhares de anos, esse processo pode estagnar e se reverter, dando origem a novas zonas de subducção. Mas ainda era preciso saber como isso acontece, e incluir nos modelos as várias (e enormes) forças envolvidas nesse processo. Pela primeira vez, foi possí­vel simular em trêsDimensões um dos processos mais comuns de formação de novas zonas de subducção, garantindo que todas as forças sejam modeladas de forma dina¢mica e realista, incluindo a própria gravidade da Terra.

"As zonas de subducção são uma das principais caracteri­sticas do nosso planeta e o principal impulsionador da tecta´nica de placas e da dina¢mica global do planeta. As zonas de subducção são também os locais onde ocorrem terremotos de grande magnitude, como éo caso do Anel de Fogo do Paca­fico , o maior sistema de zonas de subducção do mundo. Por isso, éde extrema importa¢ncia entender como se iniciam novas zonas de subducção e como se da¡ esse processo", explica Jaime Almeida, primeiro autor deste estudo, pesquisador do Instituto Dom Luiz, na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (Ciências ULisboa).

Cada uma das simulações que levaram a esses resultados levou atéuma semana para ser processada em um supercomputador da Universidade Johannes Gutenberg (Alemanha). Mas poderia ter levado semanas, ou atémeses, para rodar neste supercomputador osse não fosse pelo ca³digo computacional desenvolvido recentemente nesta Universidade, significativamente mais eficiente do que outros ca³digos dispona­veis.
 
"Já havia sido proposto teoricamente que novas zonas de subducção eram mais prova¡veis ​​de se formarem a partir das pré-existentes, mas modelos desse tipo nunca haviam sido realizados. De certa forma, parece ser mais fa¡cil e mais prova¡vel do que o previsto", explica Joa£o Duarte, investigador do Instituto Dom Luiz e coautor deste estudo, agora publicado na revista Communications Earth and Environment .

Este modelo abre um novo leque de perspectivas e representa o ponto de partida para estudar regiaµes especa­ficas do nosso planeta: "Estamos agora aplicando esses modelos a casos específicos, como as zonas de subducção que estãocomea§ando no Oceano Atla¢ntico, no Caribe, o Arco da Esca³cia, junto a  Anta¡rtida, e na margem Sudoeste Portuguesa, e que podera¡ levar ao fecho do Oceano Atla¢ntico. O terramoto de Lisboa de 1755 pode ter sido o prenaºncio do ini­cio da subducção na nossa margem, existindo geologia marinha dados que a suportam", conclui Joa£o Duarte.

 

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