Obesidade avança e já afeta mais de um bilhão de pessoas no mundo, alerta estudo
Pesquisa aponta crescimento acelerado entre crianças e adolescentes e cobra respostas urgentes de governos e sistemas de saúde

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A obesidade deixou de ser um problema individual para se consolidar como uma das maiores crises globais de saúde pública. Um estudo recente analisado por pesquisadores internacionais revela que mais de 1 bilhão de pessoas vivem hoje com obesidade em todo o mundo, incluindo crianças, adolescentes e adultos, um número que mais do que dobrou nas últimas três décadas.
Segundo os dados, a prevalência da obesidade aumentou de forma contínua desde os anos 1990, atingindo níveis considerados alarmantes, especialmente entre jovens. Em vários países, a obesidade infantil já supera a desnutrição, invertendo um padrão histórico observado em nações de baixa e média renda.
Crescimento preocupante entre jovens
O estudo aponta que, entre crianças e adolescentes, a taxa global de obesidade passou de 2% em 1990 para cerca de 8% nos últimos anos, representando um crescimento de quatro vezes em pouco mais de três décadas. Em termos absolutos, isso significa centenas de milhões de jovens com maior risco de desenvolver doenças crônicas precocemente, como diabetes tipo 2, hipertensão e problemas cardiovasculares.
“O ritmo de crescimento da obesidade entre crianças e adolescentes é particularmente alarmante”, destacam os autores da pesquisa. “Sem intervenções eficazes, essa geração enfrentará consequências graves para a saúde ao longo da vida.”
A pesquisa destaca que o avanço da obesidade não ocorre de forma homogênea. Países de baixa e média renda apresentam hoje alguns dos crescimentos mais rápidos, impulsionados por mudanças no padrão alimentar, urbanização acelerada e redução da atividade física.
Além disso, fatores socioeconômicos desempenham papel central. Populações com menor acesso a alimentos saudáveis e espaços para prática de exercícios físicos apresentam maior vulnerabilidade ao ganho excessivo de peso.
“A obesidade não pode ser explicada apenas por escolhas individuais”, ressaltam os pesquisadores. “Ela está profundamente ligada a sistemas alimentares, políticas públicas e desigualdades sociais” .
Consequências para a saúde pública
Os autores alertam que a obesidade está diretamente associada ao aumento de doenças não transmissíveis, responsáveis pela maior parte das mortes prematuras no mundo. Estimativas indicam que pessoas com obesidade têm risco significativamente maior de mortalidade precoce, além de maior sobrecarga sobre os sistemas de saúde.
O estudo reforça que estratégias isoladas não são suficientes para conter o avanço do problema. Medidas como taxação de bebidas açucaradas, rotulagem clara de alimentos, incentivo à alimentação saudável nas escolas e promoção da atividade física aparecem como caminhos prioritários.
“Reverter a epidemia de obesidade exige respostas coordenadas, sustentadas e baseadas em evidências”, concluem os autores. “Sem ação imediata, os impactos sociais e econômicos serão cada vez mais difíceis de controlar”
Diante dos números apresentados, o estudo reforça que a obesidade já não pode ser tratada apenas como um problema médico, mas como um desafio estrutural que envolve governos, indústria alimentícia e sociedade civil. O alerta dos pesquisadores é claro: o tempo para agir está se esgotando.
Mais informações
Angelidi, AM, Bartell, E., Huang, Y. et al. Efeitos independentes do peso da proporção carboidrato/gordura na dieta sobre os perfis metabolômicos: resultados secundários de um ensaio clínico randomizado controlado de alimentação com duração de 5 meses. Nat Commun (2026). https://doi.org/10.1038/s41467-026-68353-z