Especialista alerta para os sintomas do câncer de vulva e de vagina e reforça a importância do exame ginecológico regular

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O câncer pode atingir praticamente qualquer órgão do corpo humano. Nas mulheres, embora seja raro, também pode se desenvolver na vulva e na vagina, o que reforça a importância do acompanhamento regular com profissionais de saúde. De acordo com Jesus Paula Carvalho, professor associado da disciplina de Ginecologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e chefe do setor de Ginecologia Oncológica do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), ainda é comum a confusão entre esses dois órgãos.
“A vulva corresponde à parte externa da genitália feminina, que inclui os grandes lábios, pequenos lábios, clitóris, monte de Vênus e a região dos pelos. Já a vagina é o canal interno que se estende da membrana himenal até o colo do útero”, explica o especialista. Apesar de raros, tumores podem surgir nessas regiões. O câncer de vulva representa cerca de 1% dos cânceres ginecológicos, enquanto o câncer de vagina é ainda menos frequente. Ambos, assim como o câncer do colo do útero, estão frequentemente associados à infecção pelo HPV (papilomavírus humano).
Segundo o ginecologista, o câncer de vulva ocorre principalmente em mulheres acima dos 60 anos. Nessa faixa etária, há também outra causa relevante: o líquen escleroso, uma doença inflamatória crônica que provoca alterações na pele da vulva e pode evoluir para câncer. Já o câncer de vagina pode surgir em mulheres de todas as idades, embora seja igualmente raro.
Sintomas
Os sintomas variam e, muitas vezes, passam despercebidos. No câncer de vulva é comum a presença de coceira (prurido), manchas, alterações de cor ou da textura da pele. “Como geralmente acomete mulheres mais idosas, esses sinais acabam sendo ignorados, e o diagnóstico ocorre apenas quando a doença já está avançada”, alerta o ginecologista.
No caso do câncer de vagina a detecção é ainda mais difícil, pois o tumor se desenvolve no interior do canal vaginal. Normalmente, o principal sinal é o sangramento, especialmente após as relações sexuais.
O diagnóstico de ambos os tipos de câncer pode ser feito durante o exame ginecológico de rotina. Diante de qualquer suspeita é fundamental realizar uma biópsia para confirmação. O problema, segundo o especialista, é que muitos casos ainda são diagnosticados em estágios avançados, quando a doença já se espalhou para linfonodos ou outros órgãos.
Quando identificadas precocemente, as lesões iniciais podem ser tratadas com cirurgia, com altas chances de cura. Nos casos mais avançados, o tratamento pode envolver cirurgia associada à radioterapia.
O número de casos de câncer de vulva e de vagina tem aumentado no Brasil. Esse crescimento está relacionado, principalmente, ao envelhecimento da população feminina. Além disso, alguns grupos apresentam maior risco, como mulheres imunossuprimidas, pacientes transplantadas, usuárias de determinadas medicações, além de fumantes. O tabagismo é um fator de risco importante para ambos os tipos de câncer.