Saúde

Pesquisa avaliará repercussões da infecção pelo coronavírus no parto e no aleitamento materno
Investigação conduzida pela Escola de Enfermagem alcançará mães e crianças de três hospitais de BH e um de Portugal
Por Rosânia Felipe - 11/08/2020


Possibilidade de manutenção do aleitamento materno será avaliada pela pesquisa - Reprodução / TV UFMG

A chamada transmissão vertical do novo coronavírus por meio do leite materno é cercada de muitas incertezas e exige mais evidências científicas. É com esse propósito que a Escola de Enfermagem vai desenvolver estudo em três hospitais públicos de Belo Horizonte e em uma unidade de saúde em Matosinhos, Portugal, para avaliar as repercussões da infecção pelo Sars-CoV-2 no trabalho de parto, no nascimento e na manutenção do aleitamento materno. A pesquisa terá a participação de professores e egressos dos cursos de Enfermagem, Nutrição, Gestão de Serviços de Saúde e Estatística.

Coordenadora do projeto, a professora Fernanda Penido Matozinhos, do Departamento de Enfermagem Materno Infantil e Saúde Pública, explica que o estudo, de caráter epidemiológico, longitudinal (do tipo coorte retrospectiva e prospectiva) e de base hospitalar curta, será realizado com puérperas e seus filhos. “Ele incluirá mulheres que tiveram seus filhos nos quatro hospitais, nos dois meses de maior incidência da covid-19 no primeiro semestre de 2020”, afirma.

Segundo a professora, a infecção por Sars-CoV-2 será verificada por meio do prontuário das mães fornecidos pelos hospitais e de relatos por telefone. As práticas realizadas na assistência ao parto e nascimento, a via de nascimento e o aleitamento serão os desfechos principais de investigação. Pretende-se avaliar a probabilidade de se manter o aleitamento materno (exclusivo, complementar e misto) sem prejudicar os bebês.

Em Belo Horizonte, serão acompanhadas mães e seus filhos nascidos em três hospitais: o Risoleta Tolentino Neves, gerenciado pela UFMG, que faz 250 partos por mês, o Sofia Feldman, instituição filantrópica que faz 900 partos mensais e é considerada pelo Ministério da Saúde referência em boas práticas em saúde materna, e o Hospital e Maternidade Júlia Kubitschek, referência em covid-19 e responsável por 260 partos por mês.

O quarto campo de investigação é a Unidade Local de Saúde de Matosinhos (ULSM), centro de médio porte português credenciado pela Unicef como hospital amigo da criança. A maternidade realiza média diária de quatro partos. 

Coleta de dados

A coleta de dados ocorrerá por meio dos prontuários das instituições e de entrevista por telefone com as puérperas, valendo-se de dois questionários semiestruturados. Um deles é adaptado da pesquisa Nascer em Belo Horizonte: inquérito sobre o parto e o nascimento, e o outro foi elaborado pelos pesquisadores.

As puérperas serão separadas em três grupos: as que alimentam seus filhos por meio exclusivamente do leito materno, as que recorrem à amamentação mista – conjugam o leite materno com outros alimentos – e aquelas que não amamentam.

Agosto Dourado

Agosto foi o mês escolhido para marcar o incentivo à promoção do aleitamento materno no Brasil e no mundo. O aleitamento é considerado um dos principais responsáveis pela redução da mortalidade neonatal e infantil, além de ser a forma mais econômica e a melhor intervenção para redução do adoecimento em crianças em seus primeiros anos de vida. 

A campanha recebeu o nome de Agosto Dourado. A cor dourada é alusão ao padrão ouro atribuído à qualidade do leite materno como alimento.

 

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