Saúde

A descoberta de SARS-CoV-2 RNA revela novos tratamentos potenciais
Uma equipe internacional e multidisciplinar liderada por pesquisadores de Oxford, University of Glasgow e University of Heidelberg, descobriu as interaçaµes que o RNA SARS-CoV-2 estabelece com a canãlula hospedeira, muitas das quais são fundamentais
Por Oxford - 27/05/2021


Ilustração de coronava­rus - Crédito: Shutterstock

Essas descobertas abrem caminho para o desenvolvimento de novas estratanãgias terapaªuticas para COVID-19 com amplo potencial antiviral.

A informação genanãtica do SARS-CoV-2 écodificada em uma molanãcula de RNA em vez de DNA. Este RNA deve ser multiplicado, traduzido e empacotado em novaspartículas virais para produzir a progaªnie viral. Apesar da complexidade desses processos, o SARS-CoV-2 codifica apenas um punhado de protea­nas capazes de se engajar com o RNA viral. Para contornar essa limitação, o SARS-CoV-2 sequestra protea­nas celulares e as redireciona para seu pra³prio benefa­cio. No entanto, a identidade dessas protea­nas permaneceu desconhecida atéagora.

Pesquisadores da Universidade de Oxford, em colaboração com outros laboratórios no Reino Unido e na Europa, desenvolveram uma nova abordagem para descobrir de uma maneira abrangente as protea­nas que se "aderem" ao RNA do SARS-CoV-2 em células infectadas. Com este manãtodo, os autores descobriram que o RNA do SARS-CoV-2 sequestra mais de uma centena de protea­nas celulares, que parecem desempenhar papanãis cra­ticos no ciclo de vida viral.

Este trabalho, publicado na  Molecular Cell , identifica muitos alvos terapaªuticos potenciais com centenas de medicamentos disponí­veis direcionados a eles. Em um experimento de prova de princa­pio, os autores selecionaram quatro drogas direcionadas a quatro protea­nas celulares diferentes. Essas drogas causaram efeitos moderados a fortes na replicação viral.

'Esses resultados empolgantes são apenas o começo', disse Alfredo Castello, um dos pesquisadores que liderou o trabalho. 'Com centenas de compostos que tem como alvo essas protea­nas celulares cra­ticas, serápossí­vel identificar novos antivirais. Nossos esforços, junto com os da comunidade cienta­fica, devem se concentrar agora em testar essas drogas em células infectadas e modelos animais para descobrir quais são os melhores antivirais. '

Uma observação inesperada deste estudo éque va­rus de origens diferentes, como SARS-CoV-2 e Sindbis, sequestram um repertório semelhante de protea­nas celulares. Essa descoberta émuito importante, pois protea­nas celulares com papanãis importantes e amplamente difundidos na infecção por va­rus tem potencial como alvo para tratamentos antivirais de amplo espectro.

“Nesta fase da pandemia em que as vacinas provaram o seu valor”, acrescentou Alfredo Castello. 'Torna-se fundamental desenvolver uma nova abordagem terapaªutica para neutralizar variantes emergentes resistentes a vacinas ou novos va­rus patogênicos com potencial pandaªmico.'

O professor Shabaz Mohammed acrescenta: 'Esses novos manãtodos para descobrir os interatores do RNA viral se baseiam em quase 6 anos de esforços conjuntos entre os laboratórios Castello e Mohammed usando o va­rus Sindbis como modelo de descoberta. Este trabalho pré-existente nos permitiu reagir rapidamente no ini­cio da pandemia COVID-19 e estudar as interações entre o SARS-CoV-2 e a canãlula hospedeira em um período de tempo reduzido. Nossa metodologia agora estara¡ pronta para responder rapidamente a futuros tópicos virais. '

 

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