Saúde

Pesquisadores encontram ligações biológicas entre carne vermelha e câncer colorretal
Comer menos carne vermelha éo conselho médico padrãopara prevenir o câncer colorretal
Por Issam Ahmed - 19/06/2021


Um novo artigo na revista Cancer Discovery identificou padraµes específicos de danos ao DNA desencadeados por dietas ricas em carne vermelha - implicando ainda mais o alimento como um carcina³geno enquanto anuncia a possibilidade de detectar o câncer precocemente e desenvolver novos tratamentos.

Comer menos carne vermelha éo conselho médico padrãopara prevenir o câncer colorretal, mas a forma como causa a mutação das células permanece obscura, e nem todos os especialistas estãoconvencidos de que existe uma ligação forte.

Um novo artigo na revista Cancer Discovery identificou agora padraµes específicos de danos ao DNA desencadeados por dietas ricas em carne vermelha - implicando ainda mais o alimento como um carcina³geno enquanto anuncia a possibilidade de detectar o câncer precocemente e desenvolver novos tratamentos.

As pesquisas anteriores que estabeleceram a conexão eram principalmente epidemiola³gicas, o que significa que as pessoas que desenvolveram a doença foram pesquisadas sobre seus hábitos alimentares e os pesquisadores descobriram associações com a incidaªncia de câncer colorretal .

Mas a falta de clareza em torno da biologia significava que o caso não era exatamente um assunto sanãrio e, em 2019, uma equipe de pesquisadores fez barulho ao declarar que tinham apenas um grau "baixo" de certeza de que reduzir o consumo evitaria mortes por ca¢ncer.

"Quando dizemos que a carne vermelha écancera­gena e afeta a incidaªncia de ca¢ncer, deve haver alguma maneira plausa­vel de fazaª-lo", disse a  AFP o oncologista Marios Giannakis, do Dana-Farber Cancer Institute, que liderou o novo estudo.

Afinal, os cientistas descobriram hámuito tempo quais substâncias químicas na fumaa§a do cigarro são responsa¡veis ​​pelo câncer e como certas faixas de luz ultravioleta penetram na pele e desencadeiam mutações em genes que controlam como as células crescem e se dividem.

Para resolver a lacuna de conhecimento, Giannakis e seus colegas sequenciaram dados de DNA de 900 pacientes com câncer colorretal, que foram retirados de um grupo muito maior de 280.000 profissionais de saúde que participaram de estudos de anos de duração que inclua­ram pesquisas de estilo de vida.

Trabalho de detetive

A força dessa abordagem éque as pessoas que documentam sua dieta não tem como saber de seu futuro diagnóstico de ca¢ncer, em vez de pedir a s pessoas que relembrem seus hábitos alimentares depois de adoecerem.

A análise revelou uma assinatura mutacional distinta - um padrãoque nunca havia sido identificado antes, mas era indicativo de um tipo de dano ao DNA denominado "alquilação".

Nem todas as células que contem essas mutações se tornara£o necessariamente cancerosas, e a assinatura também estava presente em algumas amostras de ca³lon sauda¡veis.
 
A assinatura da mutação foi significativamente associada com a ingestãode carne vermelha, processada e não processada, antes do diagnóstico de câncer do paciente, mas não com a ingestãode aves, peixes ou outros fatores de estilo de vida que foram examinados.

"Com a carne vermelha, existem produtos químicos que podem causar alquilação", explicou Giannakis.

Os compostos específicos são compostos nitrosos que podem ser produzidos a partir do heme, abundante na carne vermelha, assim como os nitratos, frequentemente encontrados na carne processada.

Os padraµes de mutação estavam fortemente associados ao ca³lon distal - a parte inferior do intestino que leva ao canal anal, que éonde pesquisas anteriores sugeriram que o câncer de ca³lon ligado a  carne vermelha ocorre principalmente.

Além do mais, entre os genes que foram mais afetados pelos padraµes de alquilação estavam aqueles que pesquisas anteriores mostraram estar entre as causas mais comuns de câncer colorretal quando sofrem mutação.

Tomadas como um todo, as maºltiplas linhas de evidência constroem um argumento convincente, disse Giannakis, comparando a pesquisa a um cuidadoso trabalho de detetive.

Moderação exigida

Nesse caso, a assinatura da mutação suspeita tem muito a responder: os pacientes cujos tumores tinham os na­veis mais altos de danos de alquilação tiveram um risco 47% maior de morte especa­fica por câncer colorretal, em comparação com pacientes com na­veis mais baixos de danos.

Mas Giannakis, também médico praticante, disse que éimportante focar em como a pesquisa pode ser usada para ajudar os pacientes.

Trabalhos futuros podem ajudar os médicos a identificar quais pacientes são geneticamente predispostos a acumular danos de alquilação e, em seguida, aconselha¡-los a limitar a ingestãode carne vermelha.

A identificação de pacientes que já começam a acumular a assinatura mutacional pode ajudar a identificar quem estãoem maior risco de desenvolver câncer ou contrair a doença em um esta¡gio anterior.

E como a quantidade de dano por alquilação parece ser um biomarcador da sobrevida do paciente, ela poderia ser usada para informar os pacientes sobre seu prognóstico.

Por fim, compreender a via biológica pela qual o câncer colorretal ocorre abre caminho para medicamentos que interrompem ou revertem o processo, prevenindo a doena§a.

Giannakis enfatizou que a mensagem final não éque as pessoas devem se abster totalmente de carne vermelha : "Minha recomendação seria que moderação e uma dieta balanceada são fundamentais."

Altos na­veis de dano de alquilação tumoral foram vistos apenas entre pacientes que comem em média mais de 150 gramas (cinco ona§as) por dia, aproximadamente igual a duas ou mais porções.

 

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